Os ventos no olhar
O escritor açoriano João de Melo esclarece no seu diário, Novas Fases da Lua (2025), uma informação que me passava despercebida, dentro daquelas informações fixadas como inócuas e obscuras entre os leigos como eu.
Diz ele: «Ainda em relação às questões do clima, ocorre-me com frequência ser confrontado por essa Europa fora com o "ciclone" dos Açores. Acorro de pronto em defesa da minha terra: os Açores não são centro "ciclónico", e sim "anticiclónico". E não contribuem para agravar as condições climáticas do Centro e Sul da Europa. Pelo contrário, travam o ímpeto dos tufões e dos ventos americanos a meio do Atlântico, quebrando-lhes a espinha, dando-os de presente ao Norte europeu. Deviam é estar agradecidos aos Açores geográficos, por esta obra de amansamento da besta oceânica. Sendo a Terra redonda, e não existindo regra sem exceção, digo-lhes que os nórdicos em geral e os britânicos em especial são porventura os únicos com razões de queixa contra as ilhas. Nós, açorianos, mandamos-lhes a chuva, o vento, os frios negativos e os nevões da América por uma questão meramente industrial: obrigá-los ao álcool, à cama e às suas mulheres. Não é isso que dizem de nós, europeus do Sul?»
Fui buscar esta descoberta diarística - lida nas vésperas de uma sessão das 5.as de Leitura que pretendia homenagear os 50 Anos de Carreira Literária de João de Melo, com a presença do autor, entretanto cancelada por causa das condições meteorológicas adversas - para acompanhar este vídeo recentemente achado no Youtube.

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