Declarações de amor💫

        Hoje, na geo-política, as guerras sucessivas, internas ou externas, acompanham-se de discursos paradigmáticos, diplomáticos, de amor e de ódio. Do significado último do que é a política, fico-me  com a citação do economista brasileiro José Monir Nasser: "A política é um fenómeno moral, antes de ser ideológico".

        As ações na política pretendem seduzir, conquistar, insistir, aparecer e desaparecer, surpreender, obter, por fim, a confiança... Neste jogo existe igualmente a ameaça sobre o outro - faz o que eu digo, ou penalizo-te, aplico-te uma sanção. Se o ameaçador voltar atrás, então o ameaçado sente-se livre e grato (temporariamente livre de impostos ou tarifas).

        Vejamos: a América tem posições distintas em relação à Europa conforme as duas forças políticas dominantes. Uma delas, reafirma a Europa como muito mais importante para o futuro da América do que a Ásia, a Rússia ou a América Latina. Afinal, a Europa dominou o mundo durante quatrocentos anos e continua a emanar energias intelectuais (mas não necessariamente morais, como acusa o setor oposto). Uma das características da cultura americana é achar que a História nada mais é do que palavreado, e age em conformidade com isto, embora ainda não tenha conseguido resolver a herança de coisas que aonteceram no passado.

        Uma outra posição prende-se com o conhecimento de que o mundo só se tornará um lugar seguro quando todo ele estiver americanizado. A Europa perdeu a fé, inclinada a "radicalismos extremos, à corrupção" e, em geral, "menos idealista" (in O Despertar do Velho Mundo, de William Pfaff), o interesse americano olha para os negócios puros e duros com a baía do Pacífico, e sabedor de que por esses lados as diferenças culturais são naturalmente conhecidas e previstas.

      Quanto ao confronto, nos dias de hoje, desde o fim da última Grande Guerra, cada uma das potências nacionais sabe que o objetivo não é destruir o adversário, mas sim obrigá-lo a render-se (A Verdadeira Guerra, de Richard Nixon). Além disso, Orwell já dizia, em 1984: "A consciência de estar em guerra e portanto em perigo, faz parecer natural a entrega de todo o poder a uma pequena casta: é uma inevitável condição de sobrevivência."

        Perante a (a)moralidade dos enredos, os (e)leitores do futuro perceberão o que, afinal, projetámos. 


Antónia Emília Figueiredo, Cabo Mondego, inícios do séc. XX. Coleção Antiga do Município da Figueira da Foz, Fundo Arquivo Fotográfico Municipal.

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